Editorial O Povo - 12 de agosto de 2022
Reportagem na edição de ontem, "A história da siderúrgica que mudou a balança comercial cearense", assinada pela repórter Carol Kossling, aborda a compra da CSP pela ArcelorMittal, líder mundial em siderurgia e mineração, e remonta os passos que fizeram da companhia uma das empresas mais importantes do Ceará.
Em seu primeiro ano de funcionamento, em 2016, a Companhia Siderúrgica do Pecém conseguiu elevar em 23,7% as exportações do Estado, em comparação com o ano anterior, ficando bem acima do desempenho do País que, na época, apresentou queda de 3,1%. Em julho passado, as exportações do Ceará somaram US$ 1,574 bilhão, sendo a CSP responsável por US$ 894.56 milhões, ou seja, mais da metade do total.
A história da siderúrgica no Ceará começa no ano de 1979, com o então governador Virgílio Távora (1919-1988), que dispunha de uma rara visão de futuro, com o seu Plano de Metas de Governo (Plameg), uma novidade na época. Uma das propostas era industrializar o Ceará e, para isso, era essencial a instalação de uma refinaria e de uma siderúrgica.
Távora fez vários movimentos para conseguir o seu intento, tendo o projeto continuidade nos governos seguintes. Mas o protocolo de instalação da CSP viria a ser assinado somente em 2009, no governo de Cid Gomes (PDT), com a instalação da empresa em 2016, sob o governo de Camilo Santana (PT). A sede da companhia fica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, obra iniciada no governo de Tasso Jereissati (PSDB).
Mais um passo foi dado agora, demonstrando o sucesso do empreendimento, quando a ArcelorMittal comunica ao mercado a assinatura do contrato de compra da CSC por US$ 2,2 bilhões, tornando-se a única proprietária da empresa. A concretização do negócio depende agora de análise das agências reguladoras. A expectativa é que com a entrada da Arcelor a produtividade aumente, para atender à demanda interna de aços laminados a frio e galvanizados, que deve passar de 1,5 milhão de toneladas nos próximos anos, e também com a capacidade exportadora da nova proprietária do negócio.
É importante observar que projetos de envergadura, que são os alicerces para o desenvolvimento de uma cidade, de um estado ou de um país, precisam de muitas mãos e de continuidade para que deem certo. Uma perspectiva que anda em falta na política brasileira, tanto no quesito planejamento, quanto no entendimento de que existem determinados projetos que são de Estado, portanto precisam de continuidade, ou seja, da ação de muitos governos para que resultem em benefícios econômicos e sociais.
Infelizmente, uma parcela significativa dos políticos brasileiros está mais preocupada com o imediatismo e com as próximas eleições, do que com os urgentes problemas brasileiros, que precisam de solução.
Fonte: Jornal O Povo