O hidrogênio verde (H2V) se mostra, mais um vez, como uma opção viável para a conversão de uma térmica a carvão no Ceará. Com exclusividade à coluna, a Eneva afirmou que considera todas as opções para a manutenção das atividades da Pecém II, inclusive o H2V. A empresa já tem um memorando de entendimento para geração de hidrogênio assinado com o governo cearense e, agora, projeta como alternativa para esta térmica, segundo revelou Marcelo Lopes, diretor executivo de Marketing, Comercialização e Novos Negócios da empresa.
Ele sugere que, "certamente, uma vez produzindo hidrogênio, uma das finalidades é esse teste de queima conjunta com gás na turbina, sim." "É uma das possibilidades que a gente estuda nessa linha de descarbonização e transição energética", afirma.
A conversão da Pecém II é alvo de atenções porque o contrato de fornecimento de energia da planta encerra em 2027 e uma renovação de para uma planta a carvão encontra resistência no Governo Federal, devido às metas de zero carbono. Instalada no Complexo do Pecém, a térmica possui capacidade instalada de 365 megawatts e foi uma das usinas acionadas durante a crise energética do ano passado para dar conta da demanda nacional. A sinalização da Eneva demonstra disposição para investir e significa muito para a transição energética.
"As possibilidades após o fim do atual PPA (Power Purchase Agreement, o contrato de compra e venda de energia ao longo prazo) estão na mesa e a gente não descarta nenhuma das hipóteses possíveis, nem a questão de uma eventual conversão para outro tipo de fonte ou modernização. Enfim, as avaliações estão sendo feitas", arremata Marcelo Lopes.
Eólica offshore
Em "banho-maria" é o status da formação da Associação Brasileira de Geração Eólica Offshore (Abgeo), segundo Lauro Fiúza. O empresário articulou mais de 15 empresas em prol da nova entidade com o apoio dos industriais cearenses na tentativa de defender os interesses do setor no Congresso. Sem o apoio desejado da Abeeólica, eles tinham enxergado essa saída, mas, em conversa com a coluna, afirmou que a estratégia de advocacy se mostrou mais eficiente.
Pecém pontual
Único porto cearense mapeado pela Project44, plataforma de tráfego de contêineres internacional, o Pecém não foi acometido pelos congestionamentos que devem gerar atrasos e impactar o comércio nos próximos meses. Diferente do observado na Costa Leste dos Estados Unidos, "os tempos de permanência de contêiner também parecem estar dentro dos intervalos normais."
"No geral, minha avaliação é que esse porto estão tendo um desempenho bom em comparação com as médias globais. Ele não está enfrentando atraso excessivo e os contêineres estão entrando e saindo com eficiência dos portos", avalia Josha Brazil, vice-presidente de Supply Chain Insights da Project44.
Nos últimos meses, o tempo médio de permanência na exportação de contêineres foi de 8,87 dias, e de importação, de 8,82 dias.
28%
O segmento de seguros de vida tem bom desempenho desde o início da retomada das atividades, segundo diz Erick Kluft, diretor de Negócios do Canal Corretor da Prudential do Brasil. No Ceará, a empresa cresceu 28% no primeiro semestre de 2022 - ante igual período de 2021. O aumento é superior aos 17% vistos no mercado do Nordeste em igual período.
Fonte: Coluna Armando de Oliveira Lima / Jornal O Povo