Com hub do Ceará, Brasil deve ter o H2V mais competitivo do mundo
10/08/2022

Estudo da Bloomberg projeta que, entre 2025 e 2026, o custo de produção do hidrogênio verde deve ser menor que o H2 azul e Brasil lidera com produção de energias renováveis com menor custo.

O baixo custo na geração de energia por fontes renováveis no Brasil vai colocar o País na liderança internacional na produção de hidrogênio. Segundo pesquisa da BloombergNEF, a produção de Hidrogênio Verde (H2V) deve ter custos mais competitivos que o hidrogênio cinza entre 2025 e 2026. E a produção nacional deve liderar no início da alavancagem.

E o hub de H2V em desenvolvimento no Ceará é grande indutor dessa expectativa do mercado. Com 20 memorandos de entendimento assinados, e outros dois por assinar, além de sete em negociação, o Complexo do Pecém deve receber mais de RS 100 bilhões em plantas de produção de H2V nos próximos anos.

Vale explicar que o hidrogênio azul é aquele produzido a partir de combustíveis fósseis com captura de carbono (CCS). Já o H2V é produzido a partir de energia solar ou eólica.

A BloombergNEF mostra ainda que, mesmo em mercados em que o gás natural é barato, como nos Estados Unidos, ou em países com energia renovável de alto custo, como Japão e Coréia do Sul, até 2030 o H2V será mais competitivo do que a opção mais poluente.

Ao O POVO, Natalia Castilhos Rypl, analista da Bloomberg- NEF para América Latina, explica que temos no Brasil uma projeção de melhor competitividade, já que a análise leva em conta o custo de equipamentos, principalmente os eletrolisadores, como também o custo da produção de energia renovável.

Nesse segundo ponto, o Ceará sai na frente. Outro país sul-americano também aparece bem, o Chile, com sua boa capacidade de produção de energia solar. E a combinação dos dois pontos foi analisada pela BloombergNEF: o custo nivelado de produção de hidrogênio verde em 2030 no Brasil será o segundo melhor do mundo, atrás apenas da China.

No País, será possível obter entre USS1 ou USS 1,5 USD/kg de hidrogênio produzidos a partir de plantas eólicas. “O Brasil terá um grande diferencial porque, no futuro próximo, teremos todas as economias mundiais se voltando ao corte de emissões de carbono em diversos segmentos. Tanto na produção de eletricidade, no setor industrial, além de outros”, afirmou ao O POVO durante o Fiec Summit.

De acordo com estudo da McKinsey publicado no fim de 2021, para viabilizar a produção de H2V na escala potencial, seriam necessários investimentos para que 180 GW de capacidade de geração de eletricidade renovável fosse adicionado à capacidade de geração instalada no País atualmente.

E, segundo afirmou o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, aguardam aprovação no Ibama 166 GW na produção de energia eólica offshore. São 66 projetos em análise, sendo 11 a serem construídos no Ceará. Conforme O POVO publicou no último dia 4, o Governo tem tratado a medida como prioritária.

Natalia ainda enfatiza que, por possuir uma produção mais barata, o H2V produzido no País deve atrair a demanda dos principais mercados consumidores dessa fonte de energia, como a Europa e o Japão, que também correm nos esforços de descarbonização de sua matriz, mas possuem limitações de geração de energias renováveis.

“O Brasil terá um grande diferencial porque, no futuro próximo, teremos todas as economias mundiais se voltando ao corte de emissões de carbono", afirma Natália Castilhos.

Samuel Pimentel 

Fonte: O Povo