Hidrogênio Verde: Maia prevê ampliação do Pecém
23/08/2021

 

Para produzir Hidrogênio Verde (H2V) no Complexo do Pecém, não será necessário investir em usinas de dessalinização da água do mar.

É o que estão a afirmar o presidente da Cagece, Neuri Freitas, o secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, e o seu colega de Recursos Hídricos (SRH), o também engenheiro Francisco Teixeira.

Os três asseguram que as usinas de H2V até agora anunciadas para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém consumirão, cada uma, 0,3 m³ por segundo de água doce.

É só um pouco do que a Cagece pode oferecer de água de reuso do seu sistema de coleta e tratamento de esgotos de Fortaleza. Com uma vantagem: a um custo várias vezes mais baixo do que o da água dessalinizada.

Maia Júnior revela que o sistema de esgotamento sanitário de Fortaleza pode produzir até seis vezes mais volume de água de reuso do que o de água doce da primeira usina de dessalinização da água do mar que o Grupo Marquise implantará na Praia do Futuro, cuja produção será de 1 m³ por segundo.

No dia 11 de junho passado, o presidente da Cagece disse a esta coluna que, para transportar de Fortaleza para o Pecém sua água de reuso para as futuras usinas de H2V, a empresa tem um Plano A e um Plano B. Ele explicou:

“O Plano A prevê a construção de uma adutora de aço, enterrada, que transportará 1,3 m³ por segundo de água de reúso para as usinas de hidrogênio. O Plano B, por sua vez, prevê o uso, para esse transporte, do canal do Eixão das Águas, desde Caucaia até o Pecém”.

Mas o secretário Maia Júnior, antevendo as perspectivas que a produção de H2V – a energia do amanhã – abrirá para a economia do Ceará, adverte o empresariado e estimula a inteligência acadêmica, ao refletir sobre o porvir.

Na sua opinião, “o progresso não virá do nada”. Para ser um grande produtor mundial de Hidrogênio Verde, o Estado do Ceará necessitará de estrutura, de investimento e de aparelhar o seu organismo ambiental e a sua Secretaria Executiva de Energia, que está vinculada à Secretaria de Infraestrutura (Seinfra).

Maia Júnior também diz que a Superintendência de Obras Públicas (SOP) terá de estruturar “novas rotas para o transporte dos pesados equipamentos da indústria de energia, novas linhas de transmissão e novas subestações para escoar a produção de energia”.

Mas na usina de ideias que é a cabeça do secretário Maia Júnior, há muito mais desafios a serem superados.

“Pecém terá de ser ampliado”, sentencia ele, antevendo o boom industrial que as usinas de H2V provocarão não apenas no Porto, mas em todo o seu entorno.

A duplicação da CE-155, que liga a BR-222, no Distrito de Primavera, em Caucaia, ao Porto do Pecém, é só uma das necessidades imediatas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Maia Júnior procura ser didático na sua exposição:

“A riqueza não cai do Céu. O H2V será para nós uma grande oportunidade, mas, para aproveitá-la da melhor maneira possível, teremos de formar capital humano, precisaremos de desenvolver novas tecnologias, razão pela qual temos de, imediatamente, construir aqui algo como o Cenpes (Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação), que é a unidade da Petrobras responsável pelas suas atividades de pesquisa e desenvolvimento, o maior da América Latina e um dos maiores do mundo na área de óleo e gás. O nosso Cenpes seria voltado para P&D em H2V”, afirma Maia Júnior, para quem só assim o Ceará se tornará um grande player.

Por fim, o secretário Maia Júnior transmite uma importante informação:

“Já são 9 os grandes grupos que finalizaram sua intenção de investir em H2V no Ceará, o que nos coloca na dianteira do esforço de atração de investimentos nacionais e estrangeiros para o Hidrogênio Verde”.

Fonte: Diário do Nordeste